António Augusto Louro (1870-1949)

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António Augusto Louro (1870-1949)

 

"Sem liberdade não há Democracia, sem Instrução não há Liberdade."

 

Nasceu no Sabugal, a 22 de Outubro de 1870 (ver doc.-PT/ADGRD/PRQ/PSBG29/001/00002). Ficou órfão de pai aos 8 anos e cedo começou a trabalhar como praticante de farmácia, no Porto e depois em Lisboa. Aqui ingressa na Escola Médico Cirúrgica, de onde saiu diplomado em Ciências Farmacêuticas, no ano de 1891. Quando casou, em 1892, foi viver para o Seixal. A sua farmácia, no Seixal, era frequentada por ilustres figuras da república - Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Arriaga, Miguel Bombarda, Brito Camacho ou Luz de Almeida e ali promoveram diversos comícios e debates.

Desde cedo adere aos ideais republicanos. A sua farmácia do Seixal é local de encontro e debates de ideais maçónicos e republicanos. "Maçon", foi nomeado Garante da Amizade entre os Irmãos e Lojas situadas no Vale do Seixal. Cria a partir de 16 de Julho de 1906, uma "Loja" maçónica no Barreiro a que se deu o nome Esperança de Porvir, a 13 do mesmo mês um Triângulo em Sesimbra e, a 4 de Dezembro, outro na Moita, ambos os Triângulos se transformaram em Lojas, esta última adquiriu, mais tarde o nome de Firmeza. Além destas que fundou, foi recebido com destaque em muitas outras, como nas da Alcanena e Figueira da Foz.

O seu nome está ligado à Revolução de 5 de Outubro de 1910, através da Comissão de Resistência, grupo secreto criado pela Maçonaria, que contou com o apoio da Loja da Firmeza e actuou como impulsionadora do 5 de Outubro. Participa desde 1908 na Carbonária.   

Depois da implantação da República, António Augusto Louro, foi um defensor da Lei de Separação do Estado e da Igreja e da tolerância religiosa.

Fixa residência em Alcanema onde se candidatou ao lugar de administrador do concelho de Torres Novas, cargo que veio a exercer em 1912. A ele está ligada a Festa da Árvore, uma cerimónia de cariz maçónico tendo presidido à comissão que promoveu a primeira destas Festas, no Seixal. Em Alcanena funda o Centro Republicano Alberto Xavier e, em 1913, é escolhido para administrador do concelho de Coruche. No ano seguinte funda o Centro Republicano Guerra Junqueiro em Torres Novas e é reeleito delegado do Congresso Republicano. Em 1918 lidera o movimento em prol da criação do concelho de Alcanena, vindo a ser nomeado seu administrador, em 1919. Já no ano de 1922, torna-se conservador do Registo Civil de Alcanena. O seu nome aparece ligado às propostas de implementação de uma linha de caminho de ferro e à criação de um aeródromo em Alcanena e, em 1926, defende o aproveitamento da energia eólica na zona de Alcanena.

Desenvolveu uma fecunda actividade cívica, política e cultural. Combateu o analfabetismo com grande dedicação, fazendo intervenções na imprensa nacional, criou escolas e cursos para adultos, editou diversos materiais pedagógicos, escreveu uma Cartilha Nacional e a primeira parte da Gramática e Fonologia Portuguesa.

 

António Augusto Louro, faleceu 1 de Agosto de 1949.      

Webgrafia consultada: http://www.gremiolusitano.eu/museu/pdf/cadernos_maconicos1.pdf